Sociedade de Neurocirurgia do Rio de Janeiro
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O Papel da Universidade na Formação e Educação Continuada em Neurocirurgia

O neurocirurgião convive hoje com uma importante proliferação de novas tecnologias, tanto no campo de neuro- imagens quanto em relação à técnica cirúrgica e equipamentos, levando-a à dificuldades em perceber o seu papel e seu futuro em tal contexto. Neuroradiologistas intervencionistas "intervem" cada vez mais agudamente nas patologias cérebro-vasculares, a radiocirurgia atuando de forma convincente em algumas formas de neoplasia e de doenças vasculares intracranianas. Os ortopedistas competindo de forma segura em ampla variedade de cirurgia da coluna vertebral. Um bom palpite para os jovens neurocirurgiões e residentes resume-se em: preocupe-se em estruturar sua formação. A técnica microcirúrgica nasceu há 38 anos e com sua aplicação clínica surgiram os expoentes modernos da neurocirurgia. Ao final do século XX é possível estudar hoje em uma pletora de excelentes livros mas tal não deve ser substituir a convivência com a técnica cirúrgica básica, com a neuroanatomia, neurologia e, especialmente com o treino laboratorial. Os centros formadores de neurocirurgiões devem inteirar-se de que é essencial que seus residentes tenham acesso à laboratórios para treino intensivo não somente microneurocirúrgico, mas também endoscópico, em simulação estereotaxica e novas técnicas em estabilização vertebral. Temos um papel educacional a cumprir e as Sociedades Brasileira de neurocirurgia e de Neurocirurgia do Rio de Janeiro têm incrementado as atividades voltadas para tal propósito, como os Cursos e Congressos de Educação Continuada, além de congressos do mais alto nível como os recentes Congressos de Neurocirurgia do Rio de Janeiro e o excelente XXII Congresso Brasileiro de Neurocirurgia.

A SBN estimulou também a possibilidade de um quinto ano de residência em centros de excelência, além de estágios, durante o este último ano da, em outros Serviços para a familiarização com atividades e técnicas não utilizadas em seu serviço.

Yasargil esteve entre nós e conclamou todos os jovens neurocirurgiões à seguirem seu exemplo e insistir no exaustivo estudo da neuroanatomia e no treinamento laboratorial. A mensagem do "neurocirurgião do século" deve nos levar á um momento de reflexão em relação ao nosso papel na educação em neurocirurgia para o futuro.

O ambiente universitário não é , e não deve ser, condição sine qua non para este papel, visto que o primordial é o interesse em educação médica continuada. Tal pode ser observado, inclusive , em algumas Instituições brasileiras não universitárias. A sociedade porém, espera da Universidade o cumprimento de seu dever de ser o fórum de debate de idéias e aperfeiçoamento humano. Estabelecendo um ambiente propício às mais variadas formas de atividades na formação do residente e integrando-se em programas de constante atualização e treinamento contínuo para neurocirugiões, os serviços universitários estarão fortalecendo a base da neurocirugia brasileira que é a qualidade de nossos atuais e futuros neurocirurgiões.

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