Acidente vascular cerebral (AVC)

Engana-se quem acredita que o acidente vascular cerebral (AVC), o popular derrame, só ocorre em adultos. Apesar de o envelhecimento ser um fator de risco natural para o entupimento ou rompimento dos vasos que levam sangue ao cérebro, o que leva ao AVC, esse tipo de situação também pode ocorrer em jovens e até em crianças. A boa notícia, no entanto, é que nessa faixa etária as chances de recuperação são grandes.

Diferentemente do AVC que ocorre em adultos, que geralmente está relacionado a doenças nas artérias e a fatores de risco como tabagismo, obesidade e hipertensão, o AVC infanto-juvenil tem como principais causas:

  • Anemia falciforme (doença hereditária caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue).
  • Cardiopatias congênitas ou cirurgias cardíacas.
  • Tromboembolismo.
  • Infecções do sistema nervoso central (meningites e encefalites).
  • Infecções sistêmicas graves (sepse).
  • Infecção pelo vírus varicela-zóster.

As crianças e adolescentes mais vulneráveis ao AVC são aquelas portadoras de doenças reumatológicas, como lúpus, e doenças crônicas nas artérias, como displasia fibromuscular e malformações arteriovenosas. Os recém-nascidos, com até 28 dias de vida, têm um risco maior com uma média de um caso de AVC para cada 3500 bebês devido a problemas congênitos.

Sinais de AVC em crianças e adolescentes

Assim como nos adultos, qualquer déficit neurológico de instalação súbita, como perda da força muscular, dormência, tontura e alterações de memória ou na fala, deve ser avaliado como possível decorrência de um AVC. Nas crianças e nos adolescentes, porém, destacam-se os seguintes sintomas como Dor de cabeça de início súbito (presente em até 30% dos casos) e Crises epilépticas (presente em 20% a 50% dos casos).

Existe uma maior dificuldade de diagnóstico do AVC nas crianças e nos adolescentes já que os sintomas não são comuns no AVC em adultos.

Prevenção

A prevenção primária do AVC na população infanto-juvenil dificilmente é realizada. Ocorre que a situação que predispõe ao problema é muitas vezes ignorada pela família, até o momento em que o acidente vascular cerebral acontece.

No caso específico das crianças e adolescentes com anemia falciforme, é possível estimar o risco de AVC por meio do exame de doppler transcraniano — realizado periodicamente sob orientação do hematologista pediátrico. De acordo com as alterações presentes nesse exame, os pacientes com anemia falciforme podem ter que fazer transfusões de sangue para se prevenirem de um AVC.

Nos pacientes sabidamente portadores de doenças que predispõem ao surgimento de trombose, pode ser indicado pelo médico o uso profilático de medicamentos anticoagulantes.

Para a maioria das crianças e adolescentes já acometidos por AVC, no entanto, o dr. Adoni conta que é feito um tipo de prevenção secundária, para evitar outro acidente vascular cerebral, com doses diárias de ácido acetilsalicílico.

Tratamento de AVC em crianças e adolescentes

Os cuidados contra o AVC devem ser feitos por médicos e visam, inicialmente, a manutenção da glicemia, do volume sanguíneo, da oxigenação, da temperatura corporal e da pressão arterial das crianças e dos adolescentes.

Os medicamentos trombolíticos e a retirada mecânica de um trombo, utilizados no tratamento de AVC em adultos, ainda não são empregados nos casos envolvendo crianças e adolescentes devido à falta de estudos científicos que comprovem os benefícios desses procedimentos nessa população.

Embora o AVC também seja grave nas crianças e nos adolescentes, podendo levar à morte ou deixar sequelas, como dificuldade de andar e de falar, as chances de recuperação nesses pacientes são maiores do que nos adultos. Isso ocorre porque nos primeiros anos de vida a plasticidade neuronal, ou seja, a capacidade que os neurônios têm de formar novas conexões, é maior. No entanto, quanto mais rápido forem feitos o diagnóstico e o tratamento, melhores serão as chances de reversão das sequelas.