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Thursday, 05/15/2008 2:26 PM
O "ATAQUE CEREBRAL"

PARTE I - TRATAMENTO DOS
ACIDENTES VASCULARES CEREBRAIS ISQUÊMICOS

Ao longo das últimas décadas, o tratamento dos Acidentes Vasculares Encefálicos Isquêmicos (AVEI) consistiu basicamente no tratamento das doenças vasculares extracranianas (endarterectomia carotídea).
Recentes estudos demonstram que substâncias trombolíticas quando administradas até 3h após o início do AVE agudo, são capazes de influir positivamente na evolução dos mesmos. Os avanços neste campo levaram a SNCRJ a sumarizar em 3 partes, alguns aspectos relacionadas ao tratamento dos AVEI.
Uma lista de referências bibliográficas será fornecida no final.

Acidentes vasculares encefálicos são a terceira maior causa de morte nos Estados Unidos da América e a principal causa de incapacidade física. A maioria dos AVE´s são infartos cerebrais provocados por lesão de grandes ou pequenos vasos, além da embolia cerebral. Aproximadamente 15% dos AVE´s são hemorrágicos, aí compreendidos a hemorragia cerebral propriamente e a hemorragia subaracanoídea.

A possibilidade de terapias eficazes para o tratamento do AVE agudo levou ao conceito de "ataque cerebral", em uma analogia ao já por demais conhecido ataque cardíaco. A conseqüência foi o desenvolvimento, nos EUA, de diretrizes que viabilizassem o tratamento de emergência do AVE. Como o fator tempo é de vital importância, faz-se necessário um rápido sistema de identificação da doença, bem como de transporte adequado para centros de referência dotado de todas as facilidades humanas e tecnológicas necessárias (Equipe neurocirúrgica, intensivistas, TC, RNM, neuroradiologia intervencionista)

O reconhecimento precoce do AVE e suas possíveis causas, é a mais crítica e, às vezes, a mais difícil tarefa do médico assistente. É necessário considerar diversas situações que mimetizam o "ataque cerebral", tais como : convulsões, tentativas de suicídio, crises conversivas, uso de drogas, infecções sistêmicas, encefalites tóxicas ou metabólicas, etc.

O uso de agentes trombolíticos para restabelecer o fluxo sanguíneo cerebral em caso de isquemia cerebral aguda, baseia-se na premissa de que a lesão cerebral isquêmica é gradual e que, com o restabelecimento precoce do fluxo sanguíneo, a cascata de eventos que destroem o tecido nervoso possa ser interrompida. Os eventuais candidatos devem ser cuidadosamente selecionados. O maior risco da terapia trombolítica é hemorragia cerebral, que é tanto maior quanto mais severa seja a lesão do tecido cerebral.

Diretrizes para adminstração de urgência de agentes trombolíticos em casos de AVE Isquêmico Agudo

                        (NINDS – NIH)
Terapia trombolítica não é recomendada se existe:
Evidências de hemorragia na TCC
Evidências de infarto extenso na TCC
Terapia trombolítica não pode ser recomendada para pacientes que tenham sido excluídos do estudo do NINDS, incluindo os seguintes :
Tempo de protrombina superior a 15, tempo de tromboplastima parcial prolongado ou plaquetometria inferior a 100 mil/mm3
AVE prévio ou TCE grave nos últimos 3 meses
Grande cirurgia realizada nos 14 dias precedentes ao evento
Niveis tensionais pré-tratamento de 185 mmHg(sistólica) ou 110 mmHg (diastólica)
Sinais neurológicos que melhoram rapidamente
Déficit neurológico focal isoldado leve (ex.: distúrbio de sensibilidade)
Hemorragia intracerebral prévia
Glicemia inferior a 50 mg/dl ou superior a 400 mg/dl
Convulsões no início do quadro de AVE
Hemorragia gastrointestinal ou genitourinária nos 3 meses precedentes
Infarto do miocárdio recente ( 3 meses)
Outros critérios de exclusão
Escala de AVE do NIH com pontuação maior que 22
Gravidez ou lactação
Disfunção hepática
Retinopatia diabética hemorrágica

PARTE II - TRATAMENTO DA ISQUEMIA CEREBRAL AGUDA

Agentes trombolíticos :

O uso de agentes trombolíticos é capaz de restaurar o fluxo sangüíneo em portadores de acidentes vasculares encefálicos isquêmicos AVE’s). Acredita-se que a lesão cerebral isquêmica seja gradual e que a restauração do precoce do fluxo sangüíneo possa interromper a cascata de eventos que destrói os tecidos. Uma cuidadosa seleção de pacientes é necessária. O grande risco do procedimento é a hemorragia cerebral.

Agentes trombolíticos podem ser administrados por via endovenosa ou intra-arterial. A eficácia da via endovenosa é confirmada por diversos estudos randomizados e controlados, sendo que altos níveis terapêuticos podem ser rapidamente alcançados. Uma desvantagem dessa via de introdução é que a concentração medicamentosa no ponto de oclusão é semelhante à observada em qualquer outro local do organismo. Níveis eficazes somente são alcançados com altas doses, o que implica em riscos significativos de hemorragia cerebral. A terapia endovenosa tende a ser utilizada em casos de embolia cardiogênica e também quando o ataque tem duração inferior a 3 horas. A terapia intra-arterial tem a vantagem de localizar angiograficamente o ponto de oclusão, liberarando o agente trombolítico diretamente no coágulo ecriando uma alta concentração do agente no local. O método beneficia-se também da destruição mecânica do coágulo e a documentação da eliminação desse permite saber quando interromper o procedimento, diminuindo a dose total de agentes ministrados ao paciente. A uroquinase tem sido muito utilizada nesses procedimentos. A dissolução, parcial ou total, do trombo pode ser obtida em aproximadamente 90% dos casos em que o mesmo é acessível por catéter. A via intra-arterial é preferencialmente utilizada quando a intervenção se realiza mais de 3 horas após o ataque.

O uso de anticoagulantes :

O uso de anticoagulantes, durante ou logo após a trombólise, tem sido evitado pela maioria dos autores, devido ao risco de hemorragia intracerebral.

Dosagem :

Aparentemente, as complicações decorrentes da trombólise são dose dependentes. Por exemplo : a incidência de hemorragia intracraniana foi maior em portadores de infarto do miocárdio que receberam doses mais elevadas de ativador do plasminogênio tecidual (APT). A dose de APT atualmente recomendada é de 0,9 mg/kg.

A escolha do agente e das doses, são menos claras para uso intra-arterial. A uroquinase na dose total de 1 milhão de unidades parece ser a preferida por diversos autores. Sua vantagem sobre o APT ainda está para ser demonstrada.

PROBLEMAS RELACIONADOS À TERAPIA TROMBOLÍTICA

Intervalo de tempo:

O intervalo de tempo durante o qual a terapia trombolítica seria eficaz ainda é questão de debates. De uma maneira geral admite-se que o tratamento deva ser iniciado o mais precocemente possível. Apesar de haverem relatos de regressão do quadro isquêmico até 24 horas após o início dos sinais e sintomas, admite-se um intervalo máximo de 6 a 8 h, embora o limite ideal ainda esteja para se determinado.

Em trombólises com estreptoquinase, estudos retrospectivos sugerem que os resultados obtidos até 3 horas sejam mais favoráveis que os encontrados após esse período. Atualmente, tanto a Associação Americana de Cardiologia quanto a Academia Americana de Neurologia, recomendam que procedimentos trombolíticos por via endovenosa sejam realizados nas primeiras 3 horas.

O reconhecimento do infarto:

A maioria das hemorragias que acontecem no contexto da trombólise, ocorrem em regiões cerebrais isquêmicas. Uma TCC deve ser realizada antes do procedimento, para excluir a possibilidade de hemorragia intracerebral. Estudos tomográficos na fase aguda da dos AVE’s, permitiu reconhecer que a baixa densidade tomográfica é um importante sinal de infarto cerebral. Pacientes com lesões hipodensas na TCC, apresentam alto risco de hemorragia intracerebral, mesmo quando não tratados por agentes trombolíticos. Assim sendo, o tratamento está contraindicado na presença de hipodensidade tomográfica.

Hipertensão arterial e trombólise :

Portadores de AVE’s isquêmicos são frequentemente portadores de hipertensão arterial. Não há certeza de que a hipertensão aumente o risco de hemorragia durante a trombólise. A maioria dos estudos contraindica o procedimento quando a PA sistólica é maior que 185 mmHg e quando a diastólica é igual ou superior a 110 mmHg.

Hemorragia intracerebral durante e após trombólise:

A complicação mais temida da terapia trombolítica é a hemorragia intracraniana. Esta, pode se manifestar sob a forma de infarto hemorrágico, por hemorragia dentro de uma área de infarto ou ainda sob forma de hematoma intracerebral primário. O infarto hemorrágico provavelmente resulta de lesão da microvasculatura e extravasamento de pequenas quantidades de sangue no parênquima (hemorragia petequial no interior do infarto). A situação clínica mais comum é a observada na embolia cerebral. Estes infartos hemorrágicos costumam ser clinicamente insignificantes.A hemorragia dentro do infarto envolve extraavasamento sanguíneo a partir de vasos maiores por lesão isquêmica dos mesmos. Os hematomas intracerebrais primários resultam de sangramento arterial na ausência de isquemia local prévia. Todos os 3 tipos podem ocorrer no contexto da terapia tronbolítica, aconselhando-se a realização de TCC logo após final do procedimento.

PARTE III- TRATAMENTO DA ISQUEMIA CEREBRAL AGUDA
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Adams HP Jr. et al. : Guidelines for management of patients with acute ischemic stroke. Stroke 25:1901-, 1994

Adams, HP Jr et al. : Guidelines for thrombolitic therapy for acute stroke. Stroke 27:1711, 1996

Awad I A : Protocols and critical pathways for stroke care. Clin Neurosurg 45: 86, 1999

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Marin NA, Saver J : Intensive care management of subarachnoid hemorrhage, ischemic stroke and hemorrhagic stroke. Clin Neurosurg 45:101, 1999

Pikus HJ, Heros RC : Stroke : Indications for emergent surgical intervention. Clin Neurosurg 45: 113, 1999

Selman W et al. : The neurosurgeon and the acute stroke patient in the emergency department : Diagnosis and management. Clin Neurosurg 45:74, 1999

Swar R, Rudoni R : Developing effective emergency systems for stroke. Clin Neurosurg 45: 64, 1999

The National Institute of Neurological Disorders and Stroke rt-PA Stroke Study Group : Tissue plasminogen activator for acute ischemic stroke. N Engl J Med 333:1581, 1995

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