PARTE
II - TRATAMENTO DA ISQUEMIA CEREBRAL AGUDA
Agentes
trombolíticos :
O
uso de agentes trombolíticos é
capaz de restaurar o fluxo sangüíneo
em portadores de acidentes vasculares encefálicos
isquêmicos AVE’s). Acredita-se que
a lesão cerebral isquêmica seja
gradual e que a restauração do
precoce do fluxo sangüíneo possa
interromper a cascata de eventos que destrói
os tecidos. Uma cuidadosa seleção
de pacientes é necessária. O grande
risco do procedimento é a hemorragia
cerebral.
Agentes
trombolíticos podem ser administrados
por via endovenosa ou intra-arterial. A eficácia
da via endovenosa é confirmada por diversos
estudos randomizados e controlados, sendo que
altos níveis terapêuticos podem
ser rapidamente alcançados. Uma desvantagem
dessa via de introdução é
que a concentração medicamentosa
no ponto de oclusão é semelhante
à observada em qualquer outro local do
organismo. Níveis eficazes somente são
alcançados com altas doses, o que implica
em riscos significativos de hemorragia cerebral.
A terapia endovenosa tende a ser utilizada em
casos de embolia cardiogênica e também
quando o ataque tem duração inferior
a 3 horas. A terapia intra-arterial tem a vantagem
de localizar angiograficamente o ponto de oclusão,
liberarando o agente trombolítico diretamente
no coágulo ecriando uma alta concentração
do agente no local. O método beneficia-se
também da destruição mecânica
do coágulo e a documentação
da eliminação desse permite saber
quando interromper o procedimento, diminuindo
a dose total de agentes ministrados ao paciente.
A uroquinase tem sido muito utilizada nesses
procedimentos. A dissolução, parcial
ou total, do trombo pode ser obtida em aproximadamente
90% dos casos em que o mesmo é acessível
por catéter. A via intra-arterial é
preferencialmente utilizada quando a intervenção
se realiza mais de 3 horas após o ataque.
O
uso de anticoagulantes :
O
uso de anticoagulantes, durante ou logo após
a trombólise, tem sido evitado pela maioria
dos autores, devido ao risco de hemorragia intracerebral.
Dosagem
:
Aparentemente,
as complicações decorrentes da
trombólise são dose dependentes.
Por exemplo : a incidência de hemorragia
intracraniana foi maior em portadores de infarto
do miocárdio que receberam doses mais
elevadas de ativador do plasminogênio
tecidual (APT). A dose de APT atualmente recomendada
é de 0,9 mg/kg.
A
escolha do agente e das doses, são menos
claras para uso intra-arterial. A uroquinase
na dose total de 1 milhão de unidades
parece ser a preferida por diversos autores.
Sua vantagem sobre o APT ainda está para
ser demonstrada.
| PROBLEMAS
RELACIONADOS À TERAPIA TROMBOLÍTICA |
Intervalo
de tempo:
O
intervalo de tempo durante o qual a terapia
trombolítica seria eficaz ainda é
questão de debates. De uma maneira geral
admite-se que o tratamento deva ser iniciado
o mais precocemente possível. Apesar
de haverem relatos de regressão do quadro
isquêmico até 24 horas após
o início dos sinais e sintomas, admite-se
um intervalo máximo de 6 a 8 h, embora
o limite ideal ainda esteja para se determinado.
Em
trombólises com estreptoquinase, estudos
retrospectivos sugerem que os resultados obtidos
até 3 horas sejam mais favoráveis
que os encontrados após esse período.
Atualmente, tanto a Associação
Americana de Cardiologia quanto a Academia Americana
de Neurologia, recomendam que procedimentos
trombolíticos por via endovenosa sejam
realizados nas primeiras 3 horas.
O
reconhecimento do infarto:
A
maioria das hemorragias que acontecem no contexto
da trombólise, ocorrem em regiões
cerebrais isquêmicas. Uma TCC deve ser
realizada antes do procedimento, para excluir
a possibilidade de hemorragia intracerebral.
Estudos tomográficos na fase aguda da
dos AVE’s, permitiu reconhecer que a baixa
densidade tomográfica é um importante
sinal de infarto cerebral. Pacientes com lesões
hipodensas na TCC, apresentam alto risco de
hemorragia intracerebral, mesmo quando não
tratados por agentes trombolíticos. Assim
sendo, o tratamento está contraindicado
na presença de hipodensidade tomográfica.
Hipertensão
arterial e trombólise :
Portadores
de AVE’s isquêmicos são frequentemente
portadores de hipertensão arterial. Não
há certeza de que a hipertensão
aumente o risco de hemorragia durante a trombólise.
A maioria dos estudos contraindica o procedimento
quando a PA sistólica é maior
que 185 mmHg e quando a diastólica é
igual ou superior a 110 mmHg.
Hemorragia
intracerebral durante e após trombólise:
A
complicação mais temida da terapia
trombolítica é a hemorragia intracraniana.
Esta, pode se manifestar sob a forma de infarto
hemorrágico, por hemorragia dentro de
uma área de infarto ou ainda sob forma
de hematoma intracerebral primário. O
infarto hemorrágico provavelmente resulta
de lesão da microvasculatura e extravasamento
de pequenas quantidades de sangue no parênquima
(hemorragia petequial no interior do infarto).
A situação clínica mais
comum é a observada na embolia cerebral.
Estes infartos hemorrágicos costumam
ser clinicamente insignificantes.A hemorragia
dentro do infarto envolve extraavasamento sanguíneo
a partir de vasos maiores por lesão isquêmica
dos mesmos. Os hematomas intracerebrais primários
resultam de sangramento arterial na ausência
de isquemia local prévia. Todos os 3
tipos podem ocorrer no contexto da terapia tronbolítica,
aconselhando-se a realização de
TCC logo após final do procedimento.
PARTE
III- TRATAMENTO DA ISQUEMIA CEREBRAL AGUDA
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